Do Perigo Amarelo à Minoria Modelo

Curso Momonoki – No Brasil contemporâneo é bom ser japonês. Contanto que você não seja um. Preconceitos disfarçados de elogios correm aos montes: você é bom em matemática, não é? É tão bonito ter olhos puxados. Japonês é trabalhador e honesto, pode confiar. Os japoneses são muito organizados… Tais percepções trafegam pelo senso comum sem resistência, ocultando um intenso processo de rotulação em uma sociedade que os trata como estrangeiros. Neste chaveamento, não é possível ser japonês e brasileiro – ao mesmo tempo.

30/9, 7, 14 e 21 de outubro, quintas, das 20h às 22h

Sobre o curso

No Brasil contemporâneo é bom ser japonês. Contanto que você não seja um. Preconceitos disfarçados de elogios correm aos montes: você é bom em matemática, não é? É tão bonito ter olhos puxados. Japonês é trabalhador e honesto, pode confiar. Os japoneses são muito organizados… Tais percepções trafegam pelo senso comum sem resistência, ocultando um intenso processo de rotulação em uma sociedade que os trata como estrangeiros. Neste chaveamento, não é possível ser japonês e brasileiro – ao mesmo tempo.

Este curso é voltado para a discussão sobre as percepções acerca dos japoneses e seus descendentes no Brasil. Tais impressões são atravessadas continuamente por processos de diferenciação complexos, revelando muito como a sociedade brasileira se pensa e como encara aqueles que não fazem parte de sua codificação. Nesta infinita sucessão de arranjos e desarranjos identitários, os japoneses e asiáticos são dispostos em um grande tabuleiro étnico. Conheça as discussões correntes sobre o tema, marcadas pelas teorias de etnicidade e identidade étnica.

Quando: 30/9, 7, 14 e 21 de outubro, quintas, das 20h às 22h na Momonoki. Saiba mais aqui.

TEMAS abordadoS NO CURSo

Matizes do Amarelo

A imigração de asiáticos para as Américas já comemora mais de um século de existência. Dos chineses nas plantações de chá no Brasil da Corte Imperial, do Velho Oeste estadunidense aos colonos japoneses nas fazendas de café do interior paulista, observa-se uma sucessão de discursos nacionais, políticas e impressões conflitantes. Nos tempos das tão sonhadas assimilações culturais, como lidar com aqueles de origem e contexto tão distintos? Nesta aula introdutória teremos a discussão acerca das impressões estadunidenses e brasileiras sobre as imigrações asiáticas, com a construção da ideia de imigrantes “desejáveis” e “indesejáveis”, culminando no Perigo Amarelo.

O mito da Minoria Modelo

Quando o sonho americano alcança os imigrantes asiáticos nos Estados Unidos da década de 1960 temos a explosão de um novo cenário identitário. Diante do sucesso econômico e da mobilidade social, algumas minorias étnicas passam a ser lidas como exemplares e desejáveis, fazendo parte de um tabuleiro étnico pernicioso: se temos aqueles que vencem na vida, outros invariavelmente precisam perder. Neste encontro será debatido o mito da Minoria Modelo norte-americana nas lentes de Ellen D. Wu, cujos efeitos são sentidos, inclusive, no Brasil até os dias de hoje.

O mito da Minoria Positiva

Galgando largos passos na sociedade brasileira, os japoneses conseguem alcançar uma mobilidade social nunca antes vista, alicerçada pelo amplo investimento na educação dos filhos. De colonos nas fazendas de café a engenheiros e médicos, os japoneses no Brasil passam a ser vistos como bem-sucedidos em todos os objetivos e metas que almejam para si, sustentando assim a ideia de uma Minoria Positiva. Neste momento, analisaremos o trabalho de Takeyuki Tsuda sobre os nipodescendentes no Brasil, quando se colocam em frente ao espelho da sociedade brasileira e desenvolvem novas percepções identitárias.

O mito do Sucesso Econômico

Trabalhador. Honesto. Perseverante. A história da Imigração Japonesa no Brasil é marcada por uma grande narrativa épica, impressa em muito sofrimento e superação. Contudo, várias destas impressões foram repensadas e requentadas num amálgama poderoso de um discurso ideológico do começo do século XX com as teorias da Minoria Modelo e da Minoria Positiva. E aqueles que ficaram de fora desta jornada de sucesso, para onde vão? Como encerramento, teremos a discussão sobre os efeitos das teorias e modelos abordados nas aulas anteriores, procurando visualizar algumas perspectivas para o futuro.

Duração e formato

4 aulas de 2 horas cada (com intervalo e momento de discussão), ministradas ao vivo no aplicativo Zoom

Para quem este curso é voltado

Este curso é voltado para todos os interessados nas temáticas referentes à identidade nikkei, identidade nipo-brasileira, comunidade nipo-brasileira e sua relação com a cultura japonesa. Também é interessante àqueles interessados nas teorias de etnicidade, identidade e história da imigração japonesa e asiática para as américas. Por conta do caráter multidisciplinar dos Estudos Japoneses, este curso é voltado para uma ampla gama de interesses das Ciências Humanas, em especial Antropologia Social, História, Psicologia e Sociologia.

Facilitador

Prof. Dr. Victor Hugo Kebbe – Doutor em Antropologia Social pela UFSCar; ex-fellow de Japanese Studies/Intellectual Exchange da Japan Foundation (Tokyo, Japão); ex-pesquisador associado da Faculdade de Educação da Shizuoka University (Shizuoka, Japão); ex-pesquisador associado do Nanzan Anthropological Institute e do Nanzan Institute for Religion and Culture (Nagoya, Japão); Pós-Doutor pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, UFSCar e Nanzan University.